quarta-feira, novembro 23, 2005

Koeman - o "Inventor"

Como simpatizante do Benfica e, sobretudo, do bom futebol, ontem, no final do jogo Lille – Benfica, apeteceu-me mandar o senhor Ronald Koeman às… não, isso não, mandá-lo antes às tulipas. Não o fiz porque acho estas belíssimas flores, além de caras, bonitas demais para serem vulgarizadas por alguém que coloca uma equipa de futebol (eu escrevi uma equipa de futebol?) disposta e a jogar daquela maneira!
Se o Benfica fosse um reino e o senhor Koeman o seu monarca, eu já teria um cognome para ele: Koeman - o “Inventor”! Inventor porque numa equipa onde actuaram onze elementos, apenas quatro atletas ocuparam os seus postos habituais. Já tinha ouvido falar na táctica dos dois ou três centrais. Agora com mais esta invenção do holandês, passou a haver a dos quatro, pasme-se! Para uma equipa tão modesta quanto a do Lille, não era necessário, a meu ver, um “autocarro” tão grande!
Às vezes, vejo por aí uns teóricos do futebol explicando “linhas de passe”, movimentações, marcações, “pressão alta”; dando grande ênfase à táctica de jogo. O técnico encarnado prova que tudo isso é desnecessário. Ontem, a sua equipa mais parecia aquele conjunto de compadres e de amigos que se juntaram num qualquer café lá da terra, onde cada um jogava para si, a seu belo prazer. Confesso que não me lembro de ver um jogo tão mau, mesmo vendo poucos!
Não gostava, neste momento, de fazer referência a qualquer jogador, mas não consigo! Tenho que dizer que é lindo ver o Beto a jogar, lindo! Como diria o saudoso Jorge Prestrelo, “é disto que o meu povo (não) gosta”! Meu Deus, como é possível? É confrangedor ver jogadores a arrastarem a sua vulgaridade em campo!
Um espectáculo é um espectáculo, como poderia muito bem dizer o senhor La Pallisse; onde se envolvem emoções, brilhantismo, alegria e “suspense”. No tal espectáculo do senhor Koeman, eu não vi nada disto!
Na antiguidade grega, os grandes teatros proporcionavam grandes espectáculos de representações. Contudo, quando numa qualquer peça os actores não davam o seu melhor, o resultado manifestava-se através de insultos e de apedrejamentos aos próprios. Pois é, obviamente que aos dias de hoje, tal medida apresentava-se completamente anacrónica e contraproducente. Simplesmente, os “actores” de hoje deveriam ter mais respeito pelo público, sobretudo pelos seus adeptos. Não basta a Koeman invocar no final que “los jugadores han tigo un gran carácter”. E digo eu: “no es verdad señor Koeman”.
A língua de Cervantes tem significações diferentes da de Camões e, a ser assim, talvez o técnico holandês tenha também de repensar, no futuro, os termos a utilizar para adjectivar uma qualquer actuação desastrosa da sua equipa; caso contrário, até aqui a sua invenção continuará!

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