Longe vão os tempos onde, numa pequena aldeia, bem no interior transmontano, eu dava os primeiros passos nos meus estudos primários.
Estávamos então em inícios da década de 70, Portugal vivia sob a égide de um regime totalitário e passava por um dos momentos mais conturbados da sua história contemporânea. Vivia-se o auge de uma guerra colonial, marcante em muitas famílias portuguesas.
Na Escola Primária lá da terra, os jogos lúdicos que se faziam entre as crianças da minha idade que a frequentavam, reflectiam o momento político e social da época.
Como me lembro, repetidas vezes, do jogo “pretos e brancos”. De um lado, posicionavam-se os brancos, os bonzinhos, os educadores; do outro, os pretos, entendidos como os terroristas, os maus, onde as duas facções se guerreavam, com tiros e pistolas improvisadas. Como mandava a praxe e como tinha de ser, no final, os brancos eram sempre os vencedores!
Hoje, embora a geografia tenha mudado, os intervenientes e os interesses são quase os mesmos. Na quinta-feira passada morreu quase uma centena de pessoas em três atentados suicidas ocorridos em Bagdad e em outras duas cidades junto à capital iraquiana.
À noite, no Telejornal da televisão pública (RTP1) que vai para o ar às 20 horas, ao assunto que atrás mencionei apenas foi dado ênfase, pasme-se, às 20 horas e 37 minutos, reservando para o efeito, uma peça jornalística com uns míseros dois minutos.
No sábado, na ilha indonésia de Bali, três bombas explodiram causando a morte a 26 pessoas. Acontece que aqui, o mesmo canal e o mesmo programa chamam este acontecimento para tema de abertura, fazendo directos vários com o correspondente em Timor – António Veladas – seguido de peças jornalísticas e mais peças, reservando para o efeito cerca de quinze minutos.
O tempo passou e hoje, os pretos mudaram geograficamente de posição: “deslocaram-se” de África para o Crescente Fértil (Iraque), continuando a ser um “assunto” menos interessante e menos atractivo para as mentes que definem a importância da informação. Os brancos (turistas ocidentais), esses deslocam-se anualmente para pomposas e luxuosas estâncias turísticas como é o caso de Bali, à procura do seu bem-estar e do seu conforto.
Ontem como hoje, a dicotomia dos pretos e dos brancos continua. O regime político, em Portugal, esse há muito que mudou; a tal Escola Primária, embora continue muito arrumadinha, como sempre, há muito que mudou na sua pedagogia, entre outras coisas; a nossa guerra colonial há muito que terminou; todavia, alguns profissionais da informação, esses é que continuam a pensar como na distante era dos “pretos e dos brancos”.
Estávamos então em inícios da década de 70, Portugal vivia sob a égide de um regime totalitário e passava por um dos momentos mais conturbados da sua história contemporânea. Vivia-se o auge de uma guerra colonial, marcante em muitas famílias portuguesas.
Na Escola Primária lá da terra, os jogos lúdicos que se faziam entre as crianças da minha idade que a frequentavam, reflectiam o momento político e social da época.
Como me lembro, repetidas vezes, do jogo “pretos e brancos”. De um lado, posicionavam-se os brancos, os bonzinhos, os educadores; do outro, os pretos, entendidos como os terroristas, os maus, onde as duas facções se guerreavam, com tiros e pistolas improvisadas. Como mandava a praxe e como tinha de ser, no final, os brancos eram sempre os vencedores!
Hoje, embora a geografia tenha mudado, os intervenientes e os interesses são quase os mesmos. Na quinta-feira passada morreu quase uma centena de pessoas em três atentados suicidas ocorridos em Bagdad e em outras duas cidades junto à capital iraquiana.
À noite, no Telejornal da televisão pública (RTP1) que vai para o ar às 20 horas, ao assunto que atrás mencionei apenas foi dado ênfase, pasme-se, às 20 horas e 37 minutos, reservando para o efeito, uma peça jornalística com uns míseros dois minutos.
No sábado, na ilha indonésia de Bali, três bombas explodiram causando a morte a 26 pessoas. Acontece que aqui, o mesmo canal e o mesmo programa chamam este acontecimento para tema de abertura, fazendo directos vários com o correspondente em Timor – António Veladas – seguido de peças jornalísticas e mais peças, reservando para o efeito cerca de quinze minutos.
O tempo passou e hoje, os pretos mudaram geograficamente de posição: “deslocaram-se” de África para o Crescente Fértil (Iraque), continuando a ser um “assunto” menos interessante e menos atractivo para as mentes que definem a importância da informação. Os brancos (turistas ocidentais), esses deslocam-se anualmente para pomposas e luxuosas estâncias turísticas como é o caso de Bali, à procura do seu bem-estar e do seu conforto.
Ontem como hoje, a dicotomia dos pretos e dos brancos continua. O regime político, em Portugal, esse há muito que mudou; a tal Escola Primária, embora continue muito arrumadinha, como sempre, há muito que mudou na sua pedagogia, entre outras coisas; a nossa guerra colonial há muito que terminou; todavia, alguns profissionais da informação, esses é que continuam a pensar como na distante era dos “pretos e dos brancos”.
1 comentário:
Concordo plenamente! Infelizmente parece que apenas é notícia de primeira página quando entre as vitimas estão ocidentais.Independentemente da nacionalidade são vidas humanas que estão em jogo e todas têm o mesmo valor! Mas parece que às vezes os "media" se esquecem disso...
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