sexta-feira, setembro 30, 2005

A "partidocracia" da democracia

As eleições presidenciais em França, ocorridas em meados de 2002, vieram por a nu, a fragilidade e as imperfeições que a maioria dos actuais sistemas políticos democráticos geram no seu seio.
As escolhas de milhões de eleitores acabam por ser condicionadas pela crescente partidarização na hora das suas opções, impedindo que estas espelhem, na plenitude, os desejos de cada um singularmente.
Quem se atreveria a, algumas semanas antes do escrutínio francês, prognosticar uma segunda volta eleitoral entre Jacques Chirac e Jean-Marie Le Pen?
Lá como cá. Embora com facções políticas extremistas menos evidentes e com menos peso político, tem-se vindo a sentir o crescente papel da “partidocracia” na formulação das ideias e na consequente intenção de voto da maioria dos eleitores. Os partidos são quem mais ordena, relegando para segundo plano a escolha de cada um; a possibilidade de, individualmente, podermos materializar em voto aquilo que a nossa consciência dita e não aquilo que, demagogicamente, os partidos nos vão incutindo.
Embora os termos “partidocracia” e democracia rimem na sua sonoridade, os partidos não são o povo e muito menos, o povo será os partidos.

Sem comentários: