sexta-feira, outubro 21, 2005

Eu pago, tu pagas, ele não paga!...

Ultimamente, tenho ouvido por aí uns “fazedores de opinião”, com algumas responsabilidades, a lançarem um conjunto de atoardas e de críticas, dirigidas à generalidade dos funcionários públicos, acusando-os de serem uns malandros, uns despesistas e os grandes responsáveis pelo elevado “deficit” que grassa no nosso país. Ora, ideias mais levianas, despropositadas e denotando uma elevada irresponsabilidade não podiam ser mais evidentes.
Primeiro, gostaria de deixar bem vincado que numa extensa seara, há que saber distinguir muito bem por que cereais ela é composta e, posteriormente, saber separar cada um deles, das ervas daninhas, que é como quem diz, separar o trigo do joio e não enveredar, como vem sendo prática comum, por uma generalização saloia e primária relativamente a esses funcionários.
Obviamente que, como em tudo na vida, haverá os bons, os menos bons e os maus, é certo! Mas, convém não esquecer que, muitos destes funcionários, no exercício da sua actividade diária, a ela dedicam todo o seu empenho e toda a sua capacidade. Dir-me-ão que são pagos para isso, obviamente! Mas também é certo que se deve reconhecer a perigosidade destas generalizações e da sua banalização.
Quantos destes “opinadores”, à semelhança dos funcionários públicos, pagarão mensalmente a totalidade, eu repito, a totalidade dos seus impostos, muito antes de o mês em curso ter terminado? Será que muitas dessas pessoas se manterão de “cara lavada” perante o fisco, gozando de um estatuto de não devedores? Será que, ganhando o vencimento que a generalidade dos funcionários públicos ganha seria possível passearem-se em carros topo de gama, construir grandes mansões e possuírem chorudas contas em alguns “paraísos fiscais”?
Pois é, utilizando uma linguagem de cariz marxista, a mim, na qualidade de funcionário público, o Estado paga-me um vencimento que representa a “compra” do meu esforço diário, esforço esse em que dedico todo o meu profissionalismo e todo o meu “savoir faire” adquirido para as tarefas que me são pedidas e confiadas.
Acho que se enveredou por uma crítica cega em vez de relevarem o que efectivamente está mal. Se para uma qualquer transacção fosse obrigatório a obtenção de uma factura que, por sua vez, seria dedutível no IRS, tal como acontece com a generalidade dos produtos farmacêuticos, certamente que os prevaricadores, os tais que não pagam impostos teriam de arrepiar caminho exercendo finalmente, aquele nobre dever de cidadania – o da não fuga ao fisco! Nesse dia, todos nós opinávamos!

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