É comum, entre dois dedos de conversa com amigos, por vezes questionarmo-nos sobre qual terá sido o livro mais marcante das nossas vidas? Eu, por mim, confesso-me confuso quando convidado para tamanha reflexão.
Entre o “Constantino, guardador de vacas e de sonhos” e os “Esteiros”; entre a “Utopia” e o “Príncipe”; entre o “Amor em tempos de cólera” e a “Insustentável leveza do ser”; entre “Sidartha” e “Capitães da areia”; entre “Barranco de cegos” e “Por quem os sinos dobram”, o meu coração vacila e palpita.
A leitura de um livro é um momento e, cada um acaba por expressar um estado de espírito em situações diferentes da nossa vida. Por isso, todos eles terão ocupado o seu espaço e importância próprios, sem retirar a qualquer um deles a beleza e o encanto que cada um em particular transmitiu.
Todavia, há um que foi o pilar e o grande responsável por estas e por outras leituras. Refiro-me ao “Livro da Primeira Classe”. Foi este o meu primeiro livro e, igualmente, o livro da minha vida.
Fiz os meus estudos primários ainda sob a governação de um regime político fascista, onde os manuais escolares passavam de mão em mão sem haver a necessidade de proceder a grandes alterações, quer nos livros, quer na pedagogia de ensino utilizada.
Ora, foi graças a este “emblemático” livro que eu aprendi, entre outras letras o “i” de Igreja; o “d” de Deus; o “p” de Pai e de Pátria; o “m” de Mãe; o “t” de Trabalho, enfim, muitas outras coisas que ajudaram no enriquecimento lexical e na formação do meu pensamento.
É certo que o livro, visto à distância, não passava de um importante veículo de propaganda dos valores defendidos pelo “Estado Novo”, onde a célebre trilogia salazarista – Deus, Pátria e Família eram por demais evidentes.
Mas, foi este livro que “formatou” as ideias de muitas crianças que, tal como eu, procurávamos dar os primeiros passos num mundo onde a ruralidade, tão querida do regime político, imperava.
Era evidente neste livro três grandes objectivos: ler, escrever e contar, bem ao jeito da “Cartilha maternal” de João de Deus. Como este “empreendimento”, para um principiante como eu, se me afigurava tão complicado e de tão difícil acesso!
Com todas as vicissitudes; com todas as artimanhas do regime político nele veiculadas; com toda a pedagogia alicerçada num conjunto de ícones orquestrados sempre na mesma direcção – a da satisfação de objectivos políticos - este livro foi, sem quaisquer sombra de dúvidas, o livro da minha vida, possibilitando até, um dia, quem sabe, colocar mesmo a minha vida em livro!
Entre o “Constantino, guardador de vacas e de sonhos” e os “Esteiros”; entre a “Utopia” e o “Príncipe”; entre o “Amor em tempos de cólera” e a “Insustentável leveza do ser”; entre “Sidartha” e “Capitães da areia”; entre “Barranco de cegos” e “Por quem os sinos dobram”, o meu coração vacila e palpita.
A leitura de um livro é um momento e, cada um acaba por expressar um estado de espírito em situações diferentes da nossa vida. Por isso, todos eles terão ocupado o seu espaço e importância próprios, sem retirar a qualquer um deles a beleza e o encanto que cada um em particular transmitiu.
Todavia, há um que foi o pilar e o grande responsável por estas e por outras leituras. Refiro-me ao “Livro da Primeira Classe”. Foi este o meu primeiro livro e, igualmente, o livro da minha vida.
Fiz os meus estudos primários ainda sob a governação de um regime político fascista, onde os manuais escolares passavam de mão em mão sem haver a necessidade de proceder a grandes alterações, quer nos livros, quer na pedagogia de ensino utilizada.
Ora, foi graças a este “emblemático” livro que eu aprendi, entre outras letras o “i” de Igreja; o “d” de Deus; o “p” de Pai e de Pátria; o “m” de Mãe; o “t” de Trabalho, enfim, muitas outras coisas que ajudaram no enriquecimento lexical e na formação do meu pensamento.
É certo que o livro, visto à distância, não passava de um importante veículo de propaganda dos valores defendidos pelo “Estado Novo”, onde a célebre trilogia salazarista – Deus, Pátria e Família eram por demais evidentes.
Mas, foi este livro que “formatou” as ideias de muitas crianças que, tal como eu, procurávamos dar os primeiros passos num mundo onde a ruralidade, tão querida do regime político, imperava.
Era evidente neste livro três grandes objectivos: ler, escrever e contar, bem ao jeito da “Cartilha maternal” de João de Deus. Como este “empreendimento”, para um principiante como eu, se me afigurava tão complicado e de tão difícil acesso!
Com todas as vicissitudes; com todas as artimanhas do regime político nele veiculadas; com toda a pedagogia alicerçada num conjunto de ícones orquestrados sempre na mesma direcção – a da satisfação de objectivos políticos - este livro foi, sem quaisquer sombra de dúvidas, o livro da minha vida, possibilitando até, um dia, quem sabe, colocar mesmo a minha vida em livro!
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