



Por vezes, ao longo da vida, temos o privilégio de aportar a pequenos recantos que nos “enfeitiçam”, nos encantam e nos deliciam a memória. Porto Covo perfila-se, por assim dizer, como um desses fascinantes locais.
A primeira vez que conheci esta bela e pacata aldeia da costa vicentina, já lá vão cerca de duas décadas, alguns anos depois de darem a conhecer ao mundo, que por perto “havia um pessegueiro na ilha” e que este tinha sido “plantado por um Vizir de Odemira” e, imagine-se, até diziam à boca cheia que “por amor se matou novo”, coitado!
Pois é, passada uma longa década desde a última estada, eis-me de regresso a um local que tanta imaginação e tanto fervor me terá suscitado. O primeiro contacto diz-me logo que a aldeia cresceu avassaladora e desordenadamente, esquecendo-se de adicionar a este crescimento, melhores condições para quem a visita.
Inicio o meu roteiro pelo repleto parque de campismo, abarrotado como sempre. No imediato, vou à procura da tão afamada padaria. Meio incrédulo perante o que vejo, chego à praça Marquês de Pombal, o “ex libris” lá do sítio, caiada de um “branco, branco” e pincelada aqui e acolá com tons amarelos e azuis, tipicamente alentejanos. A rua principal encontra-se quase deserta. Os turistas há muito que partiram e a vontade para os trazer de volta não me pareceu muita. Lê-se num expositor de produtos artesanais, de forma bem visível e num bom português: “proibido mexer”! Pergunto-me: eu que tanto gosto de tocar, de sentir o tacto das coisas, como faço então para comprar? Como se diria noutros tempos: “obviamente, não compro”!
Percorro mais uns metros. Sinto vontade de saborear uma refrescante cerveja, acompanhada por um belo pires de azeitonas, de um tentador queijinho de ovelha curado ou outro qualquer petisco alentejano, habitualmente aromáticos e muito deliciosos. Sento-me numa mesa de esplanada, mas… depois de alguma impaciência provocada pela demora, apercebi-me que estava no Alentejo, onde as coisas em vez de correrem… vão correndo! Todavia, com a minha paciência a atingir o limite do desejável, lanço um olhar na direcção da porta de entrada, onde leio: “não temos serviço de mesa”! Ora, pensei para comigo, se não têm serviço de mesa e como não me candidatei a “garçon”, que estou aqui a fazer? Levantei-me e procurei outro espaço.
É ridículo como em todos os espaços a porta parecia a mesma, pelo menos na mensagem: “não temos serviço de mesa”. Ao fim de um saturado tempo de luta, lá tive de me “aculturar” e exercer a função de “auto garçon”. O caricato de tudo isto é que, apesar de não haver serviço de mesa era necessário tirar um “ticket” para ser atendido. Mas… o pior ainda estava para vir. Na hora de pagar, cobravam mais do que nos bons locais, naqueles onde somos servidos à mesa, a tempo e tratados simpaticamente!
Procuro alojamento. Recuso-me ir para o parque de campismo cujos níveis sazonais eu nunca tinha visto antes: época baixa; época média; época alta e época especial. Meu Deus, pensei para mim, aqui as épocas deveriam ser por dias: preço para a segunda-feira, para a terça e por aí adiante, até chegar aos fins-de-semana! Que é isto?
O hotel cuja qualidade deixava muito a desejar, há muito que estava lotado. Procurei um apartamento. O exterior das casas animava-me e os valores pedidos não diziam o contrário. Sentia-me finalmente feliz. Todavia, depois de bater a algumas portas, a oferta era quase sempre a mesma: branca e asseada por fora; velha, decadente e labiríntica por dentro. Pensei, este já não é o meu Porto Covo!
A bela e pacata aldeia de outrora cresceu. Transformou-se num incontornável local de veraneio mas, seria importante que as pessoas responsáveis a dotassem das condições mínimas necessárias, de forma a melhor satisfazer as pessoas que por lá fazem férias.
Mas… nem tudo foram choques negativos. O Alentejo é mesmo encantador e, não seria justo nesta viagem, não elogiar as lindas paisagens onde pontificam as pequenas, recatadas e belas praias, o lindo pôr-do-sol e o encantador azul do mar.
O bar da praia era calmo e convidativo a um saboroso banho de sol entremeado com dois dedos de conversa. Aqui, a simpatia imperava. Ao final da tarde, a cervejaria Marquês maravilhava, servindo entre outras iguarias, uma bela “açorda de marisco”, repleta de coentros e outras plantas aromáticas. Aqui, o serviço à mesa era eficiente, delicado e de grande simpatia.
Afinal, numa aldeia tão pequena mas tão bela, não foi difícil recolher uma diversidade de sentimentos distintos. Se por um lado me apeteceu não mais lá voltar, por outro, senti um forte apelo a uma nova oportunidade, quem sabe, dando a possibilidade ao tal “Vizir de Odemira” de ter uma vida mais longa e com mais amor!....
A primeira vez que conheci esta bela e pacata aldeia da costa vicentina, já lá vão cerca de duas décadas, alguns anos depois de darem a conhecer ao mundo, que por perto “havia um pessegueiro na ilha” e que este tinha sido “plantado por um Vizir de Odemira” e, imagine-se, até diziam à boca cheia que “por amor se matou novo”, coitado!
Pois é, passada uma longa década desde a última estada, eis-me de regresso a um local que tanta imaginação e tanto fervor me terá suscitado. O primeiro contacto diz-me logo que a aldeia cresceu avassaladora e desordenadamente, esquecendo-se de adicionar a este crescimento, melhores condições para quem a visita.
Inicio o meu roteiro pelo repleto parque de campismo, abarrotado como sempre. No imediato, vou à procura da tão afamada padaria. Meio incrédulo perante o que vejo, chego à praça Marquês de Pombal, o “ex libris” lá do sítio, caiada de um “branco, branco” e pincelada aqui e acolá com tons amarelos e azuis, tipicamente alentejanos. A rua principal encontra-se quase deserta. Os turistas há muito que partiram e a vontade para os trazer de volta não me pareceu muita. Lê-se num expositor de produtos artesanais, de forma bem visível e num bom português: “proibido mexer”! Pergunto-me: eu que tanto gosto de tocar, de sentir o tacto das coisas, como faço então para comprar? Como se diria noutros tempos: “obviamente, não compro”!
Percorro mais uns metros. Sinto vontade de saborear uma refrescante cerveja, acompanhada por um belo pires de azeitonas, de um tentador queijinho de ovelha curado ou outro qualquer petisco alentejano, habitualmente aromáticos e muito deliciosos. Sento-me numa mesa de esplanada, mas… depois de alguma impaciência provocada pela demora, apercebi-me que estava no Alentejo, onde as coisas em vez de correrem… vão correndo! Todavia, com a minha paciência a atingir o limite do desejável, lanço um olhar na direcção da porta de entrada, onde leio: “não temos serviço de mesa”! Ora, pensei para comigo, se não têm serviço de mesa e como não me candidatei a “garçon”, que estou aqui a fazer? Levantei-me e procurei outro espaço.
É ridículo como em todos os espaços a porta parecia a mesma, pelo menos na mensagem: “não temos serviço de mesa”. Ao fim de um saturado tempo de luta, lá tive de me “aculturar” e exercer a função de “auto garçon”. O caricato de tudo isto é que, apesar de não haver serviço de mesa era necessário tirar um “ticket” para ser atendido. Mas… o pior ainda estava para vir. Na hora de pagar, cobravam mais do que nos bons locais, naqueles onde somos servidos à mesa, a tempo e tratados simpaticamente!
Procuro alojamento. Recuso-me ir para o parque de campismo cujos níveis sazonais eu nunca tinha visto antes: época baixa; época média; época alta e época especial. Meu Deus, pensei para mim, aqui as épocas deveriam ser por dias: preço para a segunda-feira, para a terça e por aí adiante, até chegar aos fins-de-semana! Que é isto?
O hotel cuja qualidade deixava muito a desejar, há muito que estava lotado. Procurei um apartamento. O exterior das casas animava-me e os valores pedidos não diziam o contrário. Sentia-me finalmente feliz. Todavia, depois de bater a algumas portas, a oferta era quase sempre a mesma: branca e asseada por fora; velha, decadente e labiríntica por dentro. Pensei, este já não é o meu Porto Covo!
A bela e pacata aldeia de outrora cresceu. Transformou-se num incontornável local de veraneio mas, seria importante que as pessoas responsáveis a dotassem das condições mínimas necessárias, de forma a melhor satisfazer as pessoas que por lá fazem férias.
Mas… nem tudo foram choques negativos. O Alentejo é mesmo encantador e, não seria justo nesta viagem, não elogiar as lindas paisagens onde pontificam as pequenas, recatadas e belas praias, o lindo pôr-do-sol e o encantador azul do mar.
O bar da praia era calmo e convidativo a um saboroso banho de sol entremeado com dois dedos de conversa. Aqui, a simpatia imperava. Ao final da tarde, a cervejaria Marquês maravilhava, servindo entre outras iguarias, uma bela “açorda de marisco”, repleta de coentros e outras plantas aromáticas. Aqui, o serviço à mesa era eficiente, delicado e de grande simpatia.
Afinal, numa aldeia tão pequena mas tão bela, não foi difícil recolher uma diversidade de sentimentos distintos. Se por um lado me apeteceu não mais lá voltar, por outro, senti um forte apelo a uma nova oportunidade, quem sabe, dando a possibilidade ao tal “Vizir de Odemira” de ter uma vida mais longa e com mais amor!....
2 comentários:
Ainda assim, penso que a beleza paradisíaca das praias quase desertas nesta altura do ano, o tempo ameno e as iguarias do "Marquês" suplantaram as partes menos boas. Tudo isso fez o "nosso" Porto Covo :)!
Concordo em pleno Sofia. Para além das iguarias e da beleza paisagística, nunca devemos esquecer a beleza da nossa companhia. Como alguém disse um dia, "essa é que é essa"!...
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