segunda-feira, setembro 17, 2007

Haja pachorra!...

Já não há pachorra que resista! Somos um país conotado pelos brandos… mas efectivos e reais costumes. É assim que os portugueses são identificados face à sua inigualável e imensa capacidade de aculturação. Expressando os seus pergaminhos e tradições, Portugal chegou mesmo a ser identificado como o país dos três “F”: iniciais de Fado (Amália), Futebol (Eusébio) e Fátima (Aparições).
Há uns meses, após um milagroso apuramento da equipa nacional para a disputa do mundial de râguebi, senti um grande contentamento pulverizado pela generalidade dos portugueses, apesar do não enraizamento e da falta de tradição desta modalidade desportiva no nosso país.
O argumento para tamanha distinção (e foi evidente), prendia-se com o facto de a nossa amadora equipa se impor a conjuntos profissionais, que à priori eram muito mais credenciados. É inegável que o apuramento se afigurou um feito histórico!
Imagina-se indiscutível aquela máxima evidenciando que “ganhar ou perder é desporto”, onde o que mais interessa é competir. Todavia, nem sempre esta afirmação se vale de um total rigor, senão vejamos: quando Portugal disputa um jogo de hóquei em patins com a China, o Japão ou a Austrália e o resultado final é sessenta contra um ou dois a nosso favor, o que pensarão os torcedores destes países? Será que se sentirão orgulhosos por terem marcado um golo a uma das mais credenciadas equipas da modalidade? Não creio que assim seja!
Noutro quadrante, quando estamos em presença de uma maratona internacional, tipo Jogos Olímpicos, o que pensarão as pessoas que assistem no estádio à chegada da vencedora e, para grande espanto, passadas uma ou duas horas continuam a chegar atletas exaustas e a cambalear, que a muito custo lá vão cortando a meta? Não me parece que sejam assim tão dignas estas prestações olhando apenas para o mero exercício da participação!
É isso que a meu ver se passa com a nossa equipa de râguebi. No primeiro jogo, após uma retumbante derrota, enalteceu-se aquele resultado desnivelado, transformando-o numa margem considerada muito escassa como se setenta contra seis fosse assim tão insignificante! Minimiza-se o resultado avultado, valorizando a participação e o facto de temos marcado pontos. Então não era isto que se pedia aos atletas, marcar pontos? E é assim que se transforma uma pesada derrota num histórico jogo! Como pode?
No segundo jogo, converteu-se uma derrota por números ainda maiores e anormais na modalidade, numa grande resposta perante a equipa campeã mundial. Confesso que foi peregrino ver um conjunto de atletas cuja robustez física se desajustava dos demais desportos a vociferar o hino, chorando-o e quase rasgando as camisolas, numa clara demonstração de um pacóvio amor pátrio!
Não era preciso tanto jogando tão pouco! Por momentos, lembrei-me como entoaria o hino nacional o Carlos Lopes, a Rosa Mota, o Nelson Évora, a Naide Gomes ou o Francis Obikwelu quando viram a bandeira nacional ser içada no mastro mais alto de um desses míticos estádios mundiais? Sim porque estes foram verdadeiros e reais heróis e com uma particularidade: foram mesmo vencedores!
Às vezes era bom não vulgarizarmos os nossos mais nobres símbolos, promovendo uma pobre caricatura de um desporto que muito pouco desperta e desponta no nosso país. Não chega apenas a promoção. Devemos saber o que promovemos para não cairmos no ridículo!
É certo que ao futebol e a outros desportos se dão mais visibilidade mas… os resultados obtidos, o número de praticantes e aquilo que move o pulsar diário das pessoas, são incomensuravelmente maiores!
Como nota final, gostava de saber como é que no râguebi se expulsa um jogador por agressão? É que, no decorrer do jogo vejo um número tão elevado destas práticas que às tantas receio que as equipas fiquem sem atletas!...

1 comentário:

Anónimo disse...

"A selecção de Portugal de râguebi foi ontem recebida, no Aeroporto da Portela, à chegada da campanha no Mundial de râguebi em França, de forma entusiástica por uma centena de familiares e adeptos, assim como algumas dezenas de jovens contratados por empresas que se associaram à "equipa dos lobos" durante esta campanha no Mundial" - in jornal "Diário de Notícias de 27.9.07.
Então agora contratam-se pessoas para fazerem número e para bater palmas? Onde é que eu já vi isto? cheira-me aquela história dos actores contratados pelo Primeiro ministro há dias!... E esta hein?
Fernando