Já não há pachorra que resista! Somos um país conotado pelos brandos… mas efectivos e reais costumes. É assim que os portugueses são identificados face à sua inigualável e imensa capacidade de aculturação. Expressando os seus pergaminhos e tradições, Portugal chegou mesmo a ser identificado como o país dos três “F”: iniciais de Fado (Amália), Futebol (Eusébio) e Fátima (Aparições).
Há uns meses, após um milagroso apuramento da equipa nacional para a disputa do mundial de râguebi, senti um grande contentamento pulverizado pela generalidade dos portugueses, apesar do não enraizamento e da falta de tradição desta modalidade desportiva no nosso país.
O argumento para tamanha distinção (e foi evidente), prendia-se com o facto de a nossa amadora equipa se impor a conjuntos profissionais, que à priori eram muito mais credenciados. É inegável que o apuramento se afigurou um feito histórico!
Imagina-se indiscutível aquela máxima evidenciando que “ganhar ou perder é desporto”, onde o que mais interessa é competir. Todavia, nem sempre esta afirmação se vale de um total rigor, senão vejamos: quando Portugal disputa um jogo de hóquei em patins com a China, o Japão ou a Austrália e o resultado final é sessenta contra um ou dois a nosso favor, o que pensarão os torcedores destes países? Será que se sentirão orgulhosos por terem marcado um golo a uma das mais credenciadas equipas da modalidade? Não creio que assim seja!
Noutro quadrante, quando estamos em presença de uma maratona internacional, tipo Jogos Olímpicos, o que pensarão as pessoas que assistem no estádio à chegada da vencedora e, para grande espanto, passadas uma ou duas horas continuam a chegar atletas exaustas e a cambalear, que a muito custo lá vão cortando a meta? Não me parece que sejam assim tão dignas estas prestações olhando apenas para o mero exercício da participação!
É isso que a meu ver se passa com a nossa equipa de râguebi. No primeiro jogo, após uma retumbante derrota, enalteceu-se aquele resultado desnivelado, transformando-o numa margem considerada muito escassa como se setenta contra seis fosse assim tão insignificante! Minimiza-se o resultado avultado, valorizando a participação e o facto de temos marcado pontos. Então não era isto que se pedia aos atletas, marcar pontos? E é assim que se transforma uma pesada derrota num histórico jogo! Como pode?
No segundo jogo, converteu-se uma derrota por números ainda maiores e anormais na modalidade, numa grande resposta perante a equipa campeã mundial. Confesso que foi peregrino ver um conjunto de atletas cuja robustez física se desajustava dos demais desportos a vociferar o hino, chorando-o e quase rasgando as camisolas, numa clara demonstração de um pacóvio amor pátrio!
Não era preciso tanto jogando tão pouco! Por momentos, lembrei-me como entoaria o hino nacional o Carlos Lopes, a Rosa Mota, o Nelson Évora, a Naide Gomes ou o Francis Obikwelu quando viram a bandeira nacional ser içada no mastro mais alto de um desses míticos estádios mundiais? Sim porque estes foram verdadeiros e reais heróis e com uma particularidade: foram mesmo vencedores!
Às vezes era bom não vulgarizarmos os nossos mais nobres símbolos, promovendo uma pobre caricatura de um desporto que muito pouco desperta e desponta no nosso país. Não chega apenas a promoção. Devemos saber o que promovemos para não cairmos no ridículo!
É certo que ao futebol e a outros desportos se dão mais visibilidade mas… os resultados obtidos, o número de praticantes e aquilo que move o pulsar diário das pessoas, são incomensuravelmente maiores!
Como nota final, gostava de saber como é que no râguebi se expulsa um jogador por agressão? É que, no decorrer do jogo vejo um número tão elevado destas práticas que às tantas receio que as equipas fiquem sem atletas!...
Há uns meses, após um milagroso apuramento da equipa nacional para a disputa do mundial de râguebi, senti um grande contentamento pulverizado pela generalidade dos portugueses, apesar do não enraizamento e da falta de tradição desta modalidade desportiva no nosso país.
O argumento para tamanha distinção (e foi evidente), prendia-se com o facto de a nossa amadora equipa se impor a conjuntos profissionais, que à priori eram muito mais credenciados. É inegável que o apuramento se afigurou um feito histórico!
Imagina-se indiscutível aquela máxima evidenciando que “ganhar ou perder é desporto”, onde o que mais interessa é competir. Todavia, nem sempre esta afirmação se vale de um total rigor, senão vejamos: quando Portugal disputa um jogo de hóquei em patins com a China, o Japão ou a Austrália e o resultado final é sessenta contra um ou dois a nosso favor, o que pensarão os torcedores destes países? Será que se sentirão orgulhosos por terem marcado um golo a uma das mais credenciadas equipas da modalidade? Não creio que assim seja!
Noutro quadrante, quando estamos em presença de uma maratona internacional, tipo Jogos Olímpicos, o que pensarão as pessoas que assistem no estádio à chegada da vencedora e, para grande espanto, passadas uma ou duas horas continuam a chegar atletas exaustas e a cambalear, que a muito custo lá vão cortando a meta? Não me parece que sejam assim tão dignas estas prestações olhando apenas para o mero exercício da participação!
É isso que a meu ver se passa com a nossa equipa de râguebi. No primeiro jogo, após uma retumbante derrota, enalteceu-se aquele resultado desnivelado, transformando-o numa margem considerada muito escassa como se setenta contra seis fosse assim tão insignificante! Minimiza-se o resultado avultado, valorizando a participação e o facto de temos marcado pontos. Então não era isto que se pedia aos atletas, marcar pontos? E é assim que se transforma uma pesada derrota num histórico jogo! Como pode?
No segundo jogo, converteu-se uma derrota por números ainda maiores e anormais na modalidade, numa grande resposta perante a equipa campeã mundial. Confesso que foi peregrino ver um conjunto de atletas cuja robustez física se desajustava dos demais desportos a vociferar o hino, chorando-o e quase rasgando as camisolas, numa clara demonstração de um pacóvio amor pátrio!
Não era preciso tanto jogando tão pouco! Por momentos, lembrei-me como entoaria o hino nacional o Carlos Lopes, a Rosa Mota, o Nelson Évora, a Naide Gomes ou o Francis Obikwelu quando viram a bandeira nacional ser içada no mastro mais alto de um desses míticos estádios mundiais? Sim porque estes foram verdadeiros e reais heróis e com uma particularidade: foram mesmo vencedores!
Às vezes era bom não vulgarizarmos os nossos mais nobres símbolos, promovendo uma pobre caricatura de um desporto que muito pouco desperta e desponta no nosso país. Não chega apenas a promoção. Devemos saber o que promovemos para não cairmos no ridículo!
É certo que ao futebol e a outros desportos se dão mais visibilidade mas… os resultados obtidos, o número de praticantes e aquilo que move o pulsar diário das pessoas, são incomensuravelmente maiores!
Como nota final, gostava de saber como é que no râguebi se expulsa um jogador por agressão? É que, no decorrer do jogo vejo um número tão elevado destas práticas que às tantas receio que as equipas fiquem sem atletas!...
1 comentário:
"A selecção de Portugal de râguebi foi ontem recebida, no Aeroporto da Portela, à chegada da campanha no Mundial de râguebi em França, de forma entusiástica por uma centena de familiares e adeptos, assim como algumas dezenas de jovens contratados por empresas que se associaram à "equipa dos lobos" durante esta campanha no Mundial" - in jornal "Diário de Notícias de 27.9.07.
Então agora contratam-se pessoas para fazerem número e para bater palmas? Onde é que eu já vi isto? cheira-me aquela história dos actores contratados pelo Primeiro ministro há dias!... E esta hein?
Fernando
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