Ao longo da nossa vida somos tentados, por vezes, a não experimentar, a não fazer ou a não assistir a novas sensações ou situações para as quais julgamos não estar preparados. Temos por hábito criar alguns “anti corpos” quando nos deparamos com essas insólitas situações.
Desde criança que me fui acostumando a ouvir fado. Vozes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Zeca Afonso ou Adriano Correia de Oliveira muito cedo foram marcando alguns dos meus compassos musicais. Contudo, nunca fui um grande apreciador deste estilo musical. Embora apreciasse muito estas vozes, jamais me terá passado pela cabeça assistir a um qualquer evento desta natureza, sobretudo por achar o fado um estilo musical demasiado melancólico para o meu gosto.
De “pé atrás” e, com alguma desconfiança, no passado Sábado, lá despi os tais “anti corpos” e decidi-me a assistir ao concerto da fadista Mariza. Uma bela surpresa! Diria antes, uma magistral surpresa!...
Contrariamente a outros concertos, quando entro na sala, vejo uma plateia híbrida: ao meu lado, posicionava-se uma bela jovem, aparentando um pouco mais de um quarto de século. Do outro, uma senhora muito perto dos setenta. Em frente, famílias inteiras que, percebendo as suas idades, seriam compostas por avós, filhos e netos. Espalhados aqui e acolá encontravam-se pares de namorados intercalados por pais e filhos “degustando” aquele belo momento.
De repente, Mariza entra e a plateia não se faz rogada nos aplausos! A beleza da sua voz e a auréola de esplendor que transporta não deixam ninguém insensível! De voz forte, profunda e doce, esta bela diva arranca-me os primeiros arrepios e aplausos! Aquele “boa noite” suave e delicioso conquistou-me logo ali!
Aos poucos, as músicas sucediam-se e a sua dócil conversa com o público foi, aqui e acolá atenuando a “tensão”, como ela mesma dizia. Os arrepios aumentavam a cada mudança da tonalidade na sua voz. Que voz linda aquela que perpassava o meu ouvido!
Mas, o ponto alto do concerto estava reservado para a parte final. Depois de abandonar o palco debaixo de uma monumental ovação, esta “diva do fado” regressa e começa a cantar de forma inédita: sem microfone! “Lindo, lindo! Bravo”, gritava eu!
Ouvindo aquela celestial voz, sem o recurso a estes instrumentos sonoros, confesso que, por momentos, me senti no meio de um daqueles Coliseus Romanos, assistindo a uma qualquer peça teatral. Todavia, com uma grande diferença: lá, quem representasse mal, era insultado e apedrejado!
Por breves instantes, experimentei uma excepcional tentação de insultar e apedrejar a minha diva. Mas… não da forma como o faziam na velha Roma. A mim, insolitamente, apetecia-me insultá-la ainda com mais aplausos e palmas e apedreja-la com flores, muitas, muitas flores!...
Do inigualável momento ficou uma forte paixão pela elegância da figura da Mariza e pela transbordante doçura da sua voz. Afinal, nunca é tarde para experimentar novas sensações!...
Desde criança que me fui acostumando a ouvir fado. Vozes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Zeca Afonso ou Adriano Correia de Oliveira muito cedo foram marcando alguns dos meus compassos musicais. Contudo, nunca fui um grande apreciador deste estilo musical. Embora apreciasse muito estas vozes, jamais me terá passado pela cabeça assistir a um qualquer evento desta natureza, sobretudo por achar o fado um estilo musical demasiado melancólico para o meu gosto.
De “pé atrás” e, com alguma desconfiança, no passado Sábado, lá despi os tais “anti corpos” e decidi-me a assistir ao concerto da fadista Mariza. Uma bela surpresa! Diria antes, uma magistral surpresa!...
Contrariamente a outros concertos, quando entro na sala, vejo uma plateia híbrida: ao meu lado, posicionava-se uma bela jovem, aparentando um pouco mais de um quarto de século. Do outro, uma senhora muito perto dos setenta. Em frente, famílias inteiras que, percebendo as suas idades, seriam compostas por avós, filhos e netos. Espalhados aqui e acolá encontravam-se pares de namorados intercalados por pais e filhos “degustando” aquele belo momento.
De repente, Mariza entra e a plateia não se faz rogada nos aplausos! A beleza da sua voz e a auréola de esplendor que transporta não deixam ninguém insensível! De voz forte, profunda e doce, esta bela diva arranca-me os primeiros arrepios e aplausos! Aquele “boa noite” suave e delicioso conquistou-me logo ali!
Aos poucos, as músicas sucediam-se e a sua dócil conversa com o público foi, aqui e acolá atenuando a “tensão”, como ela mesma dizia. Os arrepios aumentavam a cada mudança da tonalidade na sua voz. Que voz linda aquela que perpassava o meu ouvido!
Mas, o ponto alto do concerto estava reservado para a parte final. Depois de abandonar o palco debaixo de uma monumental ovação, esta “diva do fado” regressa e começa a cantar de forma inédita: sem microfone! “Lindo, lindo! Bravo”, gritava eu!
Ouvindo aquela celestial voz, sem o recurso a estes instrumentos sonoros, confesso que, por momentos, me senti no meio de um daqueles Coliseus Romanos, assistindo a uma qualquer peça teatral. Todavia, com uma grande diferença: lá, quem representasse mal, era insultado e apedrejado!
Por breves instantes, experimentei uma excepcional tentação de insultar e apedrejar a minha diva. Mas… não da forma como o faziam na velha Roma. A mim, insolitamente, apetecia-me insultá-la ainda com mais aplausos e palmas e apedreja-la com flores, muitas, muitas flores!...
Do inigualável momento ficou uma forte paixão pela elegância da figura da Mariza e pela transbordante doçura da sua voz. Afinal, nunca é tarde para experimentar novas sensações!...
1 comentário:
Foi, de facto, um espectáculo fabuloso que valeu bem a pena o dinheiro gasto nos blihetes!
Vários, para não dizer, muitos momentos de arrepiar. Para mim foi mesmo inesquecível :)! E eu também não sou uma particular fã de fado. Mas Mariza conquistou-me :)!
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