sexta-feira, março 02, 2007

"O Manel? Qual Manel?"

Chocado. Esta será talvez a palavra que melhor define o sentimento que me trespassou ontem, quando a meio da tarde tomei conhecimento do falecimento do antigo futebolista do Benfica e da selecção nacional, Manuel Bento.
Desde tenra idade que me habituei a ver as redes do meu “glorioso” serem defendidas com as mãos hábeis e irrequietas do Bento. Não encontrava paralelo nas suas exibições, patenteando com a sua extraordinária capacidade uma enorme segurança e firmeza, dotes apenas confinados a um número muito restrito.
Para uns, com o dia de ontem partiu o maior guarda-redes nacional de todos os tempos. No entanto, é comummente aceite que ele foi, sem qualquer dúvida, um futebolista de inegável eleição onde, nos jogos em que participou, sempre terá dado o seu melhor em prol das cores que defendia, quer as do seu clube, quer as da selecção de todos nós.
Lembro-me que foi ele e a sua heroicidade que me levaram a festejar efusivamente pelas ruas, a vitória num célebre jogo contra a Alemanha, vitória essa que nos deu o passaporte rumo ao Mundial do México 86. Assisti a uma exibição imaculada e de encher o olho naquela noite. Confesso que nunca tinha saído à rua para celebrar vitórias futebolísticas. Todavia, face à unicidade do momento, não me contive e fui. Como me senti feliz, tal como milhões de portugueses, naquela longínqua noite! A ele o devo e a ele sempre fiquei muito grato por me ter proporcionado aquele inesquecível momento de felicidade!
Muitos outros episódios poderiam hoje ser recordados. A meia-final no Europeu de 84, disputada em França, foi outra epopeia digna de realce. Nesse dia foi possível sonhar e sonhar bem alto. Ele ajudou a semear no coração dos portugueses, um forte sentimento pela nossa selecção e um imensa vontade em almejar o título europeu! Era um bravo na forma como abordava as partidas e um grandíssimo quando posto à prova entre e fora dos postes.
Ontem, incrédulo, quando ouvi dizer que tida falecido o Manel, perguntei para comigo: mas qual Manel? Afinal, era o nosso Bento! Hoje, ainda abalado com o choque, resta-me dizer: muito obrigado e até sempre, campeão!...

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