terça-feira, outubro 31, 2006

O poder do "Pinóquio"!...

Nos últimos tempos, o país tem assistido a inúmeras manifestações populares de vária ordem, perfurando sectores diversos, desde a indústria ao ensino, passando pela agricultura, pelas pescas, pelas portagens nas auto-estradas, enfim um sem número de situações que colocam sempre qualquer governante responsável em maus lençóis.
Pelo que se me apraz constatar, apetece-me aqui trazer aquela máxima popular, onde se diz que “quem semeia ventos, acaba por colher tempestades”!
Na última campanha eleitoral legislativa, o líder do actual partido do governo, fartou-se de propagandear à boca aberta de que não aumentaria os impostos, de que as auto-estradas do interior, vulgarmente conhecidas por SCUT’s, não pagariam portagens, que o desemprego baixava, que o deficit descia, levando a crer que o país passaria a ser um verdadeiro oásis. Os mais cépticos, nos quais me incluo, obviamente que não foram na “paródia”. A maioria dos outros acabaram influenciados por estas vergonhosas mentiras (sim, eu disse mentiras!) e concluíram-se pela escolha desta equipa governativa.
Hoje, passados quase dois anos da eleição, o que mudou? Nada ou quase nada. Ficámos a saber que os grandes responsáveis pelo atraso e pela inoperacionalidade dos diversos sectores económicos do país são os funcionários da administração pública. Assim sendo, há que retirar a todos eles aquilo que qualquer compêndio prevê, no que respeita às várias carreiras profissionais: a possibilidade de ascensão profissional.
Ora, a meu ver, a ascensão não deve contemplar a todos como é bom de ver. Deve-se valorizar os que são na realidade bons e cumpridores, afastando das progressões os outros, as “ervas daninhas” que minam e dificultam sistematicamente um processo que se quer funcional e operativo. E o que se fez então? Um corte cego! Um corte onde a todos foi afastada a possibilidade de progressão, juntando no mesmo “saco” uns e outros. Isto não foi dito na tal campanha.
Todas estas “cegueiras governamentais” geram descontentamento no seio das populações atingidas que, sempre que estão na presença do “batoteiro mor”, leia-se primeiro-ministro português, manifestam o seu descontentamento. O governante, por seu lado, em vez de reconhecer a mentira, seguindo os passos de um seu colega húngaro, refugia-se assiduamente pelas “portas traseiras” de um qualquer evento público, vindo de imediato para os “media” dizer que se trata de uns quantos energúmenos organizados, que são a voz da central sindical CGTP.
Acho que toda a gente que pensa, que raciocina e que sabe fazer contas reconhece onde se posiciona a verdade. O caricato e ridículo de tudo isto ocorreu numa escola secundária em Lisboa, onde os jovens estudantes, muitos deles quase com a fralda agarrada ao corpo, se manifestavam perante a Ministra da Educação, discordando das incompreensíveis aulas de reposição. Será que este grupo de crianças, pegando na ideia do nosso governante, eram o núcleo duro da tal central sindical?
E que dizer das gentes do interior que, de um momento para o outro, após lhes terem acenado com o “rebuçado” do não pagamento de portagens se vêem impedidas dessa benesse. Pois então, se pretendiam retirar-lhes o direito de aí transitarem gratuitamente, que o tivessem dito na tal campanha!
Se a lendária história do “Ponóquio” tivesse aplicabilidade aos dias que correm, muita gente teria de se socorrer de grandes e estruturais operações plásticas! Mas das verdadeiras!...

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