quarta-feira, março 15, 2006

A união que não nos traz força!...

Passadas que foram algumas semanas sobre o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição, vulgarmente designada por OPA, levada a cabo pela Sonae sobre a Portugal Telecom, que o panorama económico português começou a sentir um nervosismo miudinho, receando a formação de monopólios ou de a economia portuguesa passar a ser comandada por multinacionais estrangeiras.
Como se tudo isto não bastasse para espicaçar o mercado de acções e a formação de poderosos grupos económicos, eis que há dias, o Banco Comercial Português, uma das maiores e mais valorosas entidades bancárias nacionais, lança igualmente uma OPA sobre o Banco Português de Investimentos, outro grande grupo financeiro nacional.
Estas frenéticas movimentações acabam por provocar grandes oscilações nos mercados bolsista e de investimentos, promovendo uma conjuntura económica favorável ao aparecimento de grandes investidores e especuladores bolsistas.
Reconheço os meus parcos conhecimentos nesta área. Contudo, se estas ofertas de aquisição vingam e se multiplicam, já alguém terá imaginado a Futebol Clube do Porto SAD lançar uma OPA sobre a Sport Lisboa e Benfica SAD ou sobre a Sporting Clube de Portugal SAD, ou vice-versa? Já alguém imaginou o presidente da SAD benfiquista ser o seu homólogo portista? E que tal a Porto, Benfica e Sporting SAD constituírem-se num único e gigantesco colosso financeiro do futebol?
A ser assim, estou mesmo a ver os mordazes analistas e críticos domingueiros do futebol e da arbitragem, que assiduamente vociferam no pequeno ecrã, a terem de mudar de profissão! Fartava-me de rir ao ver as claques dos “super-dragões”, dos “diabos vermelhos” e da “juventude leonina”, lado a lado, a aplaudirem os seus ídolos comuns! Porque não pensar assim, se afinal, a unidade é efectivamente superior à soma das suas partes?
Não é através da união que se consegue a força?
De facto, nem sempre assim é e será e não devemos confundir OPA’s com (opo)rtunistas. Estas tentativas de aquisição acabam por esconder muitas outras coisas, invisíveis aos olhos do cidadão comum. Seria conveniente explicar muito bem tudo isto e reflectir sobre os malefícios que estes novos “impérios” nos trazem.

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