Incomoda-me profundamente a medida que a Senhora Ministra da Educação está a implementar e que vai no sentido do encerramento de algumas “Escolas Primárias” espalhadas pelo país, cuja frequência de alunos não seja superior a um determinado número. Digo determinado número porque ao certo, penso que nem a própria Ministra o saberá.
Aquilo que inicialmente se previa, cifrando-se os encerramentos em cerca de quinhentos, o número acabou por engrossar e, ao que parece, já se situa muito próximo do milhar e meio. E quem vão ser as populações mais prejudicadas com esta medida? Imagine-se! Obviamente o interior! A explicação dada pela tutela é que, escolas com um número reduzido de alunos e situadas em zonas isoladas, as crianças a elas afectas terão de procurar outro “poiso”.
Impensável, esta medida! Se até no tempo do ditador Salazar, como forma de combater o analfabetismo, este mandou edificar centenas de salas espalhadas pelos mais recônditos lugares do país, como é que agora a tutela quer impedir um direito há muito consagrado? Foi preciso chegarmos ao século XXI para o mercantilismo chegar ao ensino?
Incomoda-me muito as assimetrias que continuadamente se criam entre litoral e interior, com desigualdades cada vez mais acentuadas. Se os “Caminhos de Ferro” têm prejuízo, encerram-se as linhas do interior, como se fossem estas as causadoras do tal “buraco” financeiro, e que até são, muitas vezes, os únicos veios de ligação entre localidades. A título de exemplo, custa mais uma viagem com retorno entre a Régua e o Porto, do que um passe mensal utilizado vezes sem conta, entre Lisboa e Cascais.
Ao mesmo tempo, se há um grande evento nacional, tipo “Expo 98”, “Capital Europeia da Cultura”, ou algo semelhante, sabe-se logo à partida para onde estes eventos nunca irão! Ao “Euro 2004”, chamaram-lhe Euro de Portugal mas eu chamar-lhe-ia antes, “Euro do Litoral”, reportando-me às cidades onde foi realizado! Qual terá sido o critério seguido nesta escolha? As tais grandes e importantes estradas demoram gerações a concluir, como o IP4 entre o Porto e Bragança que conheceu o seu “terminus” somente passados mais de vinte anos. E estou a falar em pouco mais de duzentos quilómetros! Tanto quanto sei, haverá uma total equidade entre os portugueses do interior e os do litoral, relativamente à entrega das suas declarações de impostos! Porque são então tratados de forma diferente?
Se o encerramento das “Escolas Primárias” tiver a ver com a racionalização de recursos humanos e de gastos a elas inerentes como dizem, aconselhava antes a começarem pela diminuição do número de deputados na Assembleia da República, sempre conseguiriam, com esta medida, um valor monetário bem mais elevado e atractivo.
Se o encerrar de escolas pega moda, estou mesmo a ver, qualquer dia, com a ausência de candidatos a alguns dos cursos leccionados nas universidades portuguesas, o Porto, Coimbra e Lisboa a reaverem de novo o monopólio do Ensino Superior em Portugal, num verdadeiro regresso ao passado! Ainda bem que há eleições e o povo tem por hábito julgar bem, pelos vistos. Pena é que o interior, em termos populacionais, esteja cada vez mais desfalcado e desertificado!
Aquilo que inicialmente se previa, cifrando-se os encerramentos em cerca de quinhentos, o número acabou por engrossar e, ao que parece, já se situa muito próximo do milhar e meio. E quem vão ser as populações mais prejudicadas com esta medida? Imagine-se! Obviamente o interior! A explicação dada pela tutela é que, escolas com um número reduzido de alunos e situadas em zonas isoladas, as crianças a elas afectas terão de procurar outro “poiso”.
Impensável, esta medida! Se até no tempo do ditador Salazar, como forma de combater o analfabetismo, este mandou edificar centenas de salas espalhadas pelos mais recônditos lugares do país, como é que agora a tutela quer impedir um direito há muito consagrado? Foi preciso chegarmos ao século XXI para o mercantilismo chegar ao ensino?
Incomoda-me muito as assimetrias que continuadamente se criam entre litoral e interior, com desigualdades cada vez mais acentuadas. Se os “Caminhos de Ferro” têm prejuízo, encerram-se as linhas do interior, como se fossem estas as causadoras do tal “buraco” financeiro, e que até são, muitas vezes, os únicos veios de ligação entre localidades. A título de exemplo, custa mais uma viagem com retorno entre a Régua e o Porto, do que um passe mensal utilizado vezes sem conta, entre Lisboa e Cascais.
Ao mesmo tempo, se há um grande evento nacional, tipo “Expo 98”, “Capital Europeia da Cultura”, ou algo semelhante, sabe-se logo à partida para onde estes eventos nunca irão! Ao “Euro 2004”, chamaram-lhe Euro de Portugal mas eu chamar-lhe-ia antes, “Euro do Litoral”, reportando-me às cidades onde foi realizado! Qual terá sido o critério seguido nesta escolha? As tais grandes e importantes estradas demoram gerações a concluir, como o IP4 entre o Porto e Bragança que conheceu o seu “terminus” somente passados mais de vinte anos. E estou a falar em pouco mais de duzentos quilómetros! Tanto quanto sei, haverá uma total equidade entre os portugueses do interior e os do litoral, relativamente à entrega das suas declarações de impostos! Porque são então tratados de forma diferente?
Se o encerramento das “Escolas Primárias” tiver a ver com a racionalização de recursos humanos e de gastos a elas inerentes como dizem, aconselhava antes a começarem pela diminuição do número de deputados na Assembleia da República, sempre conseguiriam, com esta medida, um valor monetário bem mais elevado e atractivo.
Se o encerrar de escolas pega moda, estou mesmo a ver, qualquer dia, com a ausência de candidatos a alguns dos cursos leccionados nas universidades portuguesas, o Porto, Coimbra e Lisboa a reaverem de novo o monopólio do Ensino Superior em Portugal, num verdadeiro regresso ao passado! Ainda bem que há eleições e o povo tem por hábito julgar bem, pelos vistos. Pena é que o interior, em termos populacionais, esteja cada vez mais desfalcado e desertificado!
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