A “liberdade de expressão” é um termo muito ambíguo, que permite interpretações diversas e, quando invocado para legitimar uma qualquer tomada de vista, que à priori se prevê fracturante, ele deve ser muito bem repensado, sem quaisquer tipos de leviandade por parte de quem o argumenta.
Isto vem a propósito da publicação num jornal dinamarquês e, posteriormente, num jornal norueguês de “cartoons”, caricaturando o profeta Maomé, colocando-o na pele de um bombista, utilizando para o efeito, iconografias próprias, numa clara alusão ao terrorismo desenvolvido no mundo muçulmano.
Estas publicações geraram já um estado de verdadeira loucura no mundo islâmico, sobretudo, junto de facções ou países mais fundamentalistas e radicais como a Síria, Líbano ou mesmo a Palestina. Gigantescas manifestações de rua foram organizadas, bandeiras e embaixadas dos países envolvidos nas publicações foram assaltadas e queimadas; enfim, acontecimentos sempre lamentáveis e desnecessários.
É muito fácil encobrirmo-nos sob a capa da “liberdade de expressão”, todavia, devemos utilizá-la então à luz de uma total coerência. Lembro-me, por exemplo em Portugal, a celeuma causada nos anos noventa, a propósito da irredutibilidade por parte da Igreja Católica, na ideia da não utilização do preservativo nas relações sexuais. Então, no jornal “Expresso”, o cartonista António, a este propósito, caricaturava o Papa João Paulo II, colocando-lhe um preservativo no nariz.
Confesso que não me chocou, contrariamente a muitos outros mas, como católico, obviamente que achei uma blasfémia colocar semelhante “apetrecho” e logo ali, naquela figura tão querida e emblemática para o mundo católico! Foi uma verdadeira falta se sensibilidade e de bom senso, sobretudo se olharmos o nosso país como um país marcadamente cristão. Isto levou a um dos maiores abaixo-assinados, ocorridos em Portugal, repudiando esta atitude.
Por outro lado, a todos os que hoje se encobrem por detrás da tal capa da “liberdade de expressão”, gostaria de imaginar o que sentiriam eles, quando há uns anos, nos Estados Unidos, foram postas a nu práticas pedófilas levadas a cabo por padres católicos, se alguns jornais muçulmanos tivessem satirizado, mostrando por exemplo, um Cristo em poses pedófilas? E o que sentiriam se fossem caricaturados judeus com todas as suas práticas e com todo o passado que os envolveu e que todos nós conhecemos?
É verdade; quem não se sente, não será filho de boa gente! Esta é uma máxima ainda actual e sempre muito em voga. É por isso que hoje compreendo a ira de alguns muçulmanos. Todavia, torna-se incompreensível a exagerada dimensão dada ao assunto, bem como o ódio e a brutalidade com que o tratam. Afinal, usando de novo da tal coerência, por onde andavam estes fervorosos defensores do Corão, quando em 2001, o regime talibã do Afeganistão derrubou os seculares Budas aí existentes, afirmando que estas gigantescas estátuas eram um insulto ao Islão?
Independentemente das liberdades ou falta delas e do bom senso a elas associado, há temas e ícones muito delicados e sensíveis para os podermos caricaturar e vulgarizar. Sinceramente, preferia que não descêssemos os nossos deuses à Terra e os tornássemos, simplesmente, em “primus inter pares”.
Isto vem a propósito da publicação num jornal dinamarquês e, posteriormente, num jornal norueguês de “cartoons”, caricaturando o profeta Maomé, colocando-o na pele de um bombista, utilizando para o efeito, iconografias próprias, numa clara alusão ao terrorismo desenvolvido no mundo muçulmano.
Estas publicações geraram já um estado de verdadeira loucura no mundo islâmico, sobretudo, junto de facções ou países mais fundamentalistas e radicais como a Síria, Líbano ou mesmo a Palestina. Gigantescas manifestações de rua foram organizadas, bandeiras e embaixadas dos países envolvidos nas publicações foram assaltadas e queimadas; enfim, acontecimentos sempre lamentáveis e desnecessários.
É muito fácil encobrirmo-nos sob a capa da “liberdade de expressão”, todavia, devemos utilizá-la então à luz de uma total coerência. Lembro-me, por exemplo em Portugal, a celeuma causada nos anos noventa, a propósito da irredutibilidade por parte da Igreja Católica, na ideia da não utilização do preservativo nas relações sexuais. Então, no jornal “Expresso”, o cartonista António, a este propósito, caricaturava o Papa João Paulo II, colocando-lhe um preservativo no nariz.
Confesso que não me chocou, contrariamente a muitos outros mas, como católico, obviamente que achei uma blasfémia colocar semelhante “apetrecho” e logo ali, naquela figura tão querida e emblemática para o mundo católico! Foi uma verdadeira falta se sensibilidade e de bom senso, sobretudo se olharmos o nosso país como um país marcadamente cristão. Isto levou a um dos maiores abaixo-assinados, ocorridos em Portugal, repudiando esta atitude.
Por outro lado, a todos os que hoje se encobrem por detrás da tal capa da “liberdade de expressão”, gostaria de imaginar o que sentiriam eles, quando há uns anos, nos Estados Unidos, foram postas a nu práticas pedófilas levadas a cabo por padres católicos, se alguns jornais muçulmanos tivessem satirizado, mostrando por exemplo, um Cristo em poses pedófilas? E o que sentiriam se fossem caricaturados judeus com todas as suas práticas e com todo o passado que os envolveu e que todos nós conhecemos?
É verdade; quem não se sente, não será filho de boa gente! Esta é uma máxima ainda actual e sempre muito em voga. É por isso que hoje compreendo a ira de alguns muçulmanos. Todavia, torna-se incompreensível a exagerada dimensão dada ao assunto, bem como o ódio e a brutalidade com que o tratam. Afinal, usando de novo da tal coerência, por onde andavam estes fervorosos defensores do Corão, quando em 2001, o regime talibã do Afeganistão derrubou os seculares Budas aí existentes, afirmando que estas gigantescas estátuas eram um insulto ao Islão?
Independentemente das liberdades ou falta delas e do bom senso a elas associado, há temas e ícones muito delicados e sensíveis para os podermos caricaturar e vulgarizar. Sinceramente, preferia que não descêssemos os nossos deuses à Terra e os tornássemos, simplesmente, em “primus inter pares”.
2 comentários:
O novo visual está aprovado!
Bom gosto, sim senhor!
Beijinhos.
Je vous remercie Sophie!
Gros bisous
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