sexta-feira, janeiro 27, 2006

Taxa ao marketing!...

Há muito que vem ganhando em mim, com alguma consistência, a ideia de fazer uma viagem pelo centro da Europa. Há cidades que não conheço e, como tenho ouvido contar maravilhas, estou a pensar seriamente sobre essa possibilidade. Cidades como Salzburgo, Viena, Praga, Berlim, Amesterdão, Bruxelas, Barcelona e, claro está, as bonitas cidades medievais e renascentistas italianas, são locais de visita obrigatória do meu imaginário.
Com esta ideia cada vez mais vincada, associada a um renovado desejo de voltar ao Brasil, decidi consultar diversas agências de viagens. Optando por um “giro” pela Europa, as várias agências colocam à minha disposição um infindável número de pacotes promocionais, constando em muitos deles, a viagem, a estadia e a alimentação, entre outras ofertas. Se eu optar por viajar até ao Brasil, a única coisa que pretendo é apenas a viagem, uma vez que, o alojamento já tenho garantido.
Face às consultas que entretanto fiz, em todas as agências o “modus operandi” é o mesmo, ou seja, pacotes promocionais com um forte jogo de marketing por detrás, dissimulando muitos dos valores apresentados. Vou dar como exemplo uma viagem de ida e volta ao Brasil. Chegado a uma agência, dou o meu destino e questiono sobre o valor a cobrar pela passagem. A minha interlocutora responde que, em classe económica são 864 euros. Ora começo a fazer contas e, quando me decido pela compra da passagem, a minha agente dá-me um novo detalhe: a este valor (864 euros), são acrescidas taxas de aeroporto, de combustível, de segurança e de emissão de bilhete, que perfazem 210 euros. Sendo assim, a viagem já não custaria e nunca custará 864 mas sim 1.074 euros! Então, questiono-me de novo: porque terá sido que a pessoa que me atendeu não disse logo que o total da viagem era 1.074 euros? É a isto que vulgarmente chamamos omissão. Eu chamo-lhe, com todas as letras, mentira!
Chega-se ao ponto de ver, em panfletos promocionais e em letras garrafais o seguinte: “Promoção de voos – Paris – 85 euros". Depois, em letras de tamanho minúsculo, o seguinte: “Não inclui taxas de aeroporto (aprox. 67 euros) e despesas de reserva (aprox. 20 euros)”. Fazendo as contas, a tal promoção com destino a Paris, não ficaria por 85 euros mas sim por 172 euros.
Nunca me imaginei ir a uma loja comprar uma camisa ou umas calças e me dissessem que a camisa custava, por exemplo, 70 euros, os bolsos 15, os punhos 10 e os botões 20! Se eu compro uma camisa, não a poderei usar sem botões, ou sem punhos, obviamente! Se eu compro uma viagem e ela é composta pelo voo e pelas taxas a ela inerentes, então a viagem custa o somatório de todos os seus constituintes!
Confesso que não gosto do marketing por ser omisso, induzindo as pessoas em erro! Embora deteste a mentira, prefiro esta que aquele. É que, a mentira tem “perna curta” e o marketing, quando bem feito, até dá para vender o Presidente da República aos bocadinhos, como muito bem dizia o director de televisão Emídio Rangel, a propósito de um documentário sobre televisão, exibido pelo canal francês “Arte”.

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