quinta-feira, janeiro 05, 2006

"Ontem, hoje e amanhã"

Lá diz o “povão” que Ano Novo, vida nova! Pois é, assim o queremos e, anualmente, assim desejamos que seja, só que, falta saber o que é que é entendível para cada um a tal vida nova. Mal tinham soado as doze badaladas, na noite do último dia do ano, já alguns populares festejavam efusivamente a passagem para o novo ano, envolvidos num grande frenesim de euforia, deliciando-se com o momento por que passavam.
Outros, os profissionais da informação, entravam pelas nossas casas dentro dando-nos uma “boa nova” em primeira mão: os preços da generalidade dos produtos essenciais iam aumentar. Confesso que não quis acreditar que, aquelas almas efusivas festejavam a subida dos preços; festejavam a continuidade das mentiras transmitidas pela classe política que dirige este país. No fundo, acho que nessa noite entendi perfeitamente aquela máxima: pobres mas felizes!
Sem que nada o justificasse, a gasolina subia quatro cêntimos; os passes sociais, o tabaco, os bens essenciais como o leite e o pão acompanhavam os aumentos e qual foi a reacção popular? Festejos e mais festejos. No primeiro dia do ano, estatelados no sofá, o “pequeno ecrã”, agora convertido em muitas casas no “grande plasma”, percorria o mundo, mostrando-nos e deliciando-nos com imagens alusivas à passagem do ano nos vários pontos do universo.
Assim é, após ter passado esta “monção” sazonal, o país voltou ao seu leito e, com este regresso, voltam os comentadores e os economistas, impondo-nos um verdadeiro estado depressivo com as suas leituras sobre as percentagens, sobre os números sempre dúbios, que eu pensava serem exactos mas, afinal, há sempre uma subjectividade latente na sua leitura. A palavra deficit está gasta e é coisa do passado. Confundem-se os portugueses com palavras que ninguém entende e que interessam apenas a meia dúzia. A macroeconomia, os monopólios, as acções em bolsa, o PSI 20… enfim, tudo vale!
É urgente e prioritário falar-se em crescimento ou em retoma, mesmo que ambos sejam uma miragem ou ficção. Dá-se ênfase aos erros cometidos por executivos anteriores, mas ninguém tem coragem de dizer a todos os portugueses, o que representa, no bolso de cada um, a realidade dos tais aumentos verificados.
O Senhor Governador do Banco de Portugal vem dizer afinal, que se enganou nos cálculos elaborados minuciosamente em Maio passado, sobre as taxas de crescimento e de retoma nacionais e nada lhe acontece.
O Senhor Primeiro-ministro, talvez apressado em resolver os problemas do país, acabou por tropeçar num qualquer dossier e lesionar-se numa estância Suiça! Coitado, escusava muito bem de ter levado trabalho para fazer em férias! À falta de melhores muletas políticas, socorreu-se das que tinha mais à mão! O que nos vale é que, atravessamos uma época de “abertura de mercado” e, quem sabe, não possamos adquirir um substituto à altura, tal como acontece usualmente no futebol?
No Palácio de Belém, a “jarra” apenas espera pelo novo inquilino. Talvez com ele, fique melhor decorada e o país possa finalmente progredir, como todos fazem questão de dizer. A ânsia pelo poder é o que mais sobeja em qualquer candidato. Todos tão cultos e tão humanistas! Cada vez que me lembro daquela do Dr. Soares quando disse “…ó senhor guarda saia daí, desapareça, vá mas é embora” dá para rir. E se o tal guarda fosse mesmo embora e os convidasse a todos a seguirem-lhe as pisadas? Eu queria ver: perdia-se o nosso humanismo!...

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