quarta-feira, outubro 12, 2005

Vá para fora, mas cá dentro!

Embora as férias deste ano façam já parte do passado e as do próximo sejam apenas uma miragem, hoje, enquanto passeava o meu olhar por algumas das fotos conseguidas no último Verão, decidi reflectir sobre os locais que normalmente escolhemos para visitar nessa época.
À semelhança de muitos portugueses, após um árduo e cansativo ano de trabalho, lá partimos nós para um merecido período de férias. Usualmente, o mês de Agosto é o escolhido pela maioria, embora pessoalmente, nem sempre pactue com esse “timing”.
O primeiro objectivo, por norma, é partir rumo a um lugar aprazível, onde possamos encontrar um pouco de tudo: praia, campo e alguma monumentalidade histórica à mistura, “comme il faut”! Pelo menos comigo é assim!
Então, todos os anos por aquela altura, a pergunta é quase sempre a mesma: para onde ir de férias, afinal?
Já por diversas vezes experimentei viajar para fora do país. Confesso ter ficado deslumbrado com algumas viagens e com a sensação do sabor a pouco em outras. Ora, pelas experiências obtidas nestas duas sensações nada poderei concluir. Se por um lado o deslumbramento me acompanhou a França (Paris) e ao Brasil (viagem simplesmente fantástica e encantadora!), por outro lado, as visitas efectuadas por diversas vezes aqui ao lado, aos “nuestros hermanos” (Sul de Espanha), não terão tido o mesmo sabor. Não sei explicar muito bem mas, acho que existe uma imensa carga subjectiva, relativamente à percepção com que ficamos dos locais que visitamos pela primeira vez.
Este ano resolvi fazer um pequeno périplo pelo meu país, à semelhança do que havia feito há já alguns anos e verifiquei que, quer a nível de monumentalidade, quer a nível de beleza paisagística, com certeza que nada ficamos a dever a lugares tão badalados e tão procurados por uma franja abastada da nossa sociedade.
Questiono-me acerca de quantos desses portugueses terão já visitado cidades ou lugares como Tomar, Constância, Óbidos, a maravilhosa serra da Arrábida e a península de Tróia?
Quantos desses portugueses já visitaram Évora e o seu majestoso património histórico; a renovada e sempre brilhante aldeia da Luz com a barragem do Alqueva calmamente deitada a seus pés? E aquela imensa e linda paisagem, olhada desde a asseada e florida vila de Monsaraz, digna de um verdadeiro mago do impressionismo?
Subindo pelo interior raiano, em direcção a Norte, quem terá tido já o privilégio de visitar a vila de Marvão com a sua fortificação imponente e o seu ziguezaguear de ruas estreitas?
Também as aldeias históricas de Monsanto e de Sortelha são lugares dignos de serem visitados. As construções graníticas das casas e a sua similitude tornam estes lugares em verdadeiros símbolos da ruralidade portuguesa.
Finalmente, a minha lista de sugestões termina na bonita cidade de Lamego, “deitada” aos pés do majestoso escadório barroco da Senhora dos Remédios. A monumental Sé e os seus claustros convidam a um passeio no tempo, entrando numa “viagem” ao longo da História que alimenta o nosso imaginário!
A pequenez geográfica do nosso país contrasta fortemente com a diversidade e a beleza das várias regiões escolhidas. De Norte a Sul de Este a Oeste, as escolhas são muitas e as ofertas equivalem-se.
Embora não tenha a necessidade de me socorrer de um qualquer discurso chauvinista, sempre que anualmente, a questão “para onde ir?” se coloca, obviamente que a resposta será: ir para fora sim, mas cá dentro, com todo o gosto!...

2 comentários:

Anónimo disse...

Concordo, o nosso país está cheio de locais lindíssimos que vale a pena visitar e explorar! Os locais de que falas são uma boa sugestão para descobrir nas próximas férias.

Anónimo disse...

Jade: os locais que mencionei são apenas um pequeníssimo roteiro. existe uma infinidade de lugares maravilhosos para visitar, por exemplo Miranda do Douro e fazer uma viagem de barco pelo Douro Internacional, a zona de Chaves (Pedras Salgadas, Vidago).
Apenas deixei algumas dicas.